cause life is short but sweet for certain.

a caixa de pandora

Sexta-feira, Outubro 19, 2007

na pele

às vezes me sinto só dentro de mim.
no que penso. e sinto.
como se eu morasse em mim
e nem eu me entendesse.
só observasse tudo que se passa
tudo que voa ali dentro
sem absorver.

absol-vida.
imersa na minha própria.
fluindo na correnteza
sem me (m)olhar.
fabricando ideais
sem (con)seguir.
sabendo de tudo
sem poder.

nesse confuso lar do meu ser
já não sei mais
o que fazer
pra trazer
quem me traduza
ao pé da letra (A).
não com duplo
mas com seisentidos.

não busco. ofusco.
não vejo. esqueço.
não sei. o culto.
é bem. cultivo.

****

estou aqui
em arari e nova york
estou aqui
vou do chuí ao oiapoque
tenho nas mãos
um coração maior que o mundo
e o mundo é meu
o mundo é teu
de todo mundo

na ante-sala do dentista ouço meu muzak
me entorpeço esqueço meu coração
frágil badulaque

estou aqui
em arari e nova york
estou aqui
no cariri e em bangcok
tenho nas mãos
um coração maior que tudo
nem tudo é meu
e quem sou eu
além de tudo

na ante-sala do dentista ouço meu muzak
minhalma dorme num velho porão
rima de almanaque

tudo que se vê pra que crer
tudo que se crê pra que ter
tudo que se tem pra quem


zeca baleiro
posted by déa, 12:13 AM | | 12:13 AM

Sábado, Outubro 13, 2007

minha vida é um filme.
tenho sinais disso o tempo todo.
ali no carro, dentro de uma montanha.
o sol entre os arbustos me capturava.
mas vacilava. espionava.
as árvores me protegiam daquela mira.
segurança.
apenas entre uma e outra, ele me filmava.
era luz, câmera, (cri)ação.
(imagin)ação?
tudo fazia parte de mim.
como se eu fosse imensa
e o entorno coubesse dentro de mim.
aqueles óculos vermelhos falando comigo
pedindo minha atenção.
distração.
acompanhava pedaços, pegava lances.
a música era outra história dentro da minha.
com seu próprio sentido nos meus.
sentido.
ele (des)entendia calado, dentro do filme.
assistindo minha mão ao vento, o reflexo colorido,
ouvindo o meu silêncio.
acompanhando meu estar dentro do mundo.
sem saber.
eu com aquela sensação
de tudo funcionando ao meu redor.
me preenchendo.
me tomando pela pureza
e total ausência de significado.
estado privilegiado do sentir
e eu... nada. eu ali.
primeiridade. sinestesia.
“eu tudo”, pensava personagem
em situações como estas eu sei
ele está lá, fazendo fotografias.
tenho testemunhas, mas elas não sabem...
talvez porque perdidas em outras ações.
quando estou sozinha
tenho ainda mais dúvidas.
é quando sinto mais e menos sei
se a vida é minha ou dele.
fato ou foto.
mas isso talvez já seja outro rolo
que não o meu.

então deixa eu cuidar.
preciso fazer meu filme.




*...dentro do universo, eu estou só. de repente. com a mesma intensidade estou em mim. dentro de mim e ao mesmo tempo de outras coisas, numa seqüência infinita que poderia me fazer sentir grão de areia. mas estar dentro de mim é muito vasto. por um instante meu pensamento se expande, rompendo limites num percurso desenfreado. nesse rápido espraiar, meu ser anexa a si as coisas externas. como membros de meu corpo, ou pensamentos já feitos ou palavras já formuladas -eles se aninham em mim, fazendo parte do meu ser. o processo é tão breve que sequer tenho tempo de regozijar-me com ele. porque subitamente tudo volta.
c. f. a.
posted by déa, 5:07 PM | | 5:07 PM