cause life is short but sweet for certain.

A Caixa de Pandora

Quarta-feira, Maio 30, 2007

eu queria escrever de modo a transpor tudo que se passa aqui. nada. so contemplo o branco. leio contos, busco identificação. acho-a, até. espalhada nos autores. mas as palavras brigam entre si. dizem uma com a outra e se contra-dizem. tão confusas. depois beijam-se. são complacentes. mas recordam do motivo por não ser assim em meio a um novo diálogo. e logo se sentem bobas de estarem assim... bem. mas por que? por que não podem? e nessa luta infinita acabam por esquecer por completo como tudo começou. já não existe mais razão para brigas ou beijos.







*sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? (caio fernando abreu)
posted by déa, 9:27 AM | | 9:27 AM

Terça-feira, Maio 15, 2007

tão grande é meu bem querer

posso regar-te, flor
cobrir-te com meu amor
que já não cabe mim
transborda
és tão bem quista por mim
que não seria necessário outro querer
(para preencher o vazio
esse que temos
espaço reservardo dentro de nós
para ser ocupado por outras pessoas)
além deste que ofereço aqui
de mãos e (a)braços
despido de qualquer orgulho
sem reservas
derramo em ti todo meu sentir
e preservo minha prece
apenas em tons de verde
nada de pétalas caídas no chão
dúvida rasteira
marcando o sim e o não
apenas te peço,
bem, me queira, então.





*pois toda essa beleza que te veste
vem do meu coração, que é teu espelho
o meu bem é bem melhor que tudo posto

(shakespeare e baleiro)
posted by déa, 8:05 PM | | 8:05 PM

Sábado, Maio 12, 2007

vincente, van, gogh e uma casa rosa-chá

ontem saímos pra ver os girassóis
eram três sapecas com uma cabeça amarela de palha
mas se transformavam em dez
apenas trocando de chapéu
passa um, passa outro
e a cada novo nascia um personagem
ou apenas reencarnava
entrava na pele do ator-girassol
que brilhava à luz dos holofotes
ele, que em meio a tanta gente pra ser
nunca se confundia
era nenhum e conseguia ser todos
quase ao mesmo tempo
e ia além. num vagão.
era trem!
e toda a paisagem lá fora
vaca, torre, montanha
poste, poste, poste!
e o espetáculo chegou ao seu destino
ainda no balanço
pegamos carona e fomos dar lá
naquela casa rosa-chá
quase passou desapercebida aquela portinhola iluminada
imprensada entre as galerias
mas ao entrarmos o lugar se expandiu
a aparência inicial de aperto
ficou da porta pra fora
o aconchego se abre em jardim
e sobe as escadas, ganhando mais um andar
de viva-cor (!)
luminárias que pintam com raios as paredes
e aromas que bailam no ar
ganhamos uma vela
pra logo virarmos ponto luminoso
na escuridão, lá no fundo
um bule e duas torradas depois
voltamos a andar na noite

mas lá dentro, sabiamos
que a chama era cultivada.

****

o verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". (...) já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. (...) esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. (caio fernando abreu)
posted by déa, 12:18 PM | | 12:18 PM

Terça-feira, Maio 08, 2007

...e o meu amor também

queria te contar das asas que comprei no mercado
em meio a tantas dores e cores
gritos e preces
naquela cidade pequena
onde até o nome espeta
quem vendeu disse que estavam avariadas
mas eu queria brincar, então!
entortou a cabeça, me olhou um pouco
e me deu
como se eu fosse uma criança querendo um brinquedo
fui dormir com a cabeça pesada
com espinhos daquele lugar
cheia de quinquilharias
era como chocalho quando sacudia
durante a noite chorei bolsas, sapatos
e muito, muito plástico
talvez um pouco daquele mar também
mas hoje acordei leve
levantei da cama pois já flutuava
dormia no teto do quarto
foram elas que me arrancaram da cama
buscavam as janelas
que as danadas tavam meio doidas, sim
mas pra voltar a vida
"eu te darei o céu, meu bem"
as asas precisavam era de alguém
para voar





*e vejo os telhados onde jogávamos migalhas de pão para os passarinhos, escondidos para não assustá-los, até que eles viessem, mas não vinham nunca, era dificil seduzir os que têm asas, já sabíamos... (caio fernando abreu)
posted by déa, 10:19 AM | | 10:19 AM

Quinta-feira, Maio 03, 2007

presença

gosto desse novo ritmo que tem as manhãs
com voz preenchendo os espaços
rebatendo no corredor comprido
invadindo os cômodos
aquecendo os corpos do frio que faz fora das cobertas
bom é despertar com som
entrar no tom
e se manter afinada até a noite cair
esperando sentir o eco dessas sensações
no sopro do tempo que ainda esta por vir






*então, que seja doce. repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce. quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo; repito sete vezes para dar sorte: que seja doce (caio fernando abreu)
posted by déa, 2:23 PM | | 2:23 PM