A Caixa de Pandora
Sexta-feira, Maio 19, 2006
curinga
mamãe quis sair pelo mundo para se encontrar. meu pai e eu podiámos até entender que a mãe de um garoto de quatro anos se sinta perdida algum dia. e demos e ela todo o nosso apoio nesse projeto de se encontrar. só que eu nunca consegui entender por que ela teve de ir embora para realizar seu desejo. não consegui entender por que ela não pôde fazer isso dentro de casa mesmo, em arendal, ou então por que não se contentou com uma viagem até kristiansand.
meu conselho para todos os que querem se encontrar é continuarem bem onde estão. do contrário, é grande o risco de se perderem para sempre.
mamãe quis sair pelo mundo para se encontrar. meu pai e eu podiámos até entender que a mãe de um garoto de quatro anos se sinta perdida algum dia. e demos e ela todo o nosso apoio nesse projeto de se encontrar. só que eu nunca consegui entender por que ela teve de ir embora para realizar seu desejo. não consegui entender por que ela não pôde fazer isso dentro de casa mesmo, em arendal, ou então por que não se contentou com uma viagem até kristiansand.
meu conselho para todos os que querem se encontrar é continuarem bem onde estão. do contrário, é grande o risco de se perderem para sempre.
Segunda-feira, Maio 15, 2006
pra todos que valiam à pena
um dia desses do futuro, quem sabe, numa reunião de ex-amigos...
cenário de beira de praia. lugar sempre acolhedor, a praia.
eu vou sair discretamente, com minhas sandálias e lembranças nas mãos ao encontro dele: o mar.
simplesmente para admirá-lo ou para atirar minhas lembranças e assisti-las boiar no vai e vem das águas calmas.
todos se divertem, dançam, conversam... mas você, como eu, também é chamado pelo mar.
talvez há muito tempo ele chame por nós, mas nós deixamos de ouvi-lo, tapamos os ouvidos com algodões banhados de circunstâncias.
eu me surpreendi já ao seu lado. você se aproximou olhando pra frente como se visse minhas lembranças ali, pairando nas águas.
quando virou pra mim, pensei ler em seus olhos que você não queria vê-las afundar. talvez você se entregasse ao mar catando-as, uma a uma, ou pescando-as com uma rede.
você também sentia aquele resgate inesperado. diante da situação adiada, ficaríamos ali. como se não fôssemos de fato protagonistas, mas espectadores. (isso me ocorre muito, de estar tão calada, esperando sei lá o que, que só me dou conta que estou realmente presente quando falam diretamente comigo. ao passo que, às vezes, penso "e agora?", como que presenciando algo fora do comum. como se alguém da tv falasse comigo.)
assim, eu não acreditaria naquilo até que você falasse comigo.
não sei se jamais teria coragem de perguntar, nem se você saberia responder.
se você simplesmente fosse embora, no dia seguinte tudo não passaria de um sonho, conseqüência óbvia de algo que li ou vi na tv.
então as águas da mudança nunca viriam. e o fluxo do comum permaneceria inabalável.
****
(...)
- como se lembra de algo que nunca aconteceu?
- com carinho. flaubert dizia que a expectativa era a forma mais pura do prazer e a mais confiável. enquanto as coisas que ocorrem nos decepcionariam, as coisas que não ocorrem nunca desaparecem, sempre ficam em nossos corações, como um tipo de doce tristeza.
um dia desses do futuro, quem sabe, numa reunião de ex-amigos...
cenário de beira de praia. lugar sempre acolhedor, a praia.
eu vou sair discretamente, com minhas sandálias e lembranças nas mãos ao encontro dele: o mar.
simplesmente para admirá-lo ou para atirar minhas lembranças e assisti-las boiar no vai e vem das águas calmas.
todos se divertem, dançam, conversam... mas você, como eu, também é chamado pelo mar.
talvez há muito tempo ele chame por nós, mas nós deixamos de ouvi-lo, tapamos os ouvidos com algodões banhados de circunstâncias.
eu me surpreendi já ao seu lado. você se aproximou olhando pra frente como se visse minhas lembranças ali, pairando nas águas.
quando virou pra mim, pensei ler em seus olhos que você não queria vê-las afundar. talvez você se entregasse ao mar catando-as, uma a uma, ou pescando-as com uma rede.
você também sentia aquele resgate inesperado. diante da situação adiada, ficaríamos ali. como se não fôssemos de fato protagonistas, mas espectadores. (isso me ocorre muito, de estar tão calada, esperando sei lá o que, que só me dou conta que estou realmente presente quando falam diretamente comigo. ao passo que, às vezes, penso "e agora?", como que presenciando algo fora do comum. como se alguém da tv falasse comigo.)
assim, eu não acreditaria naquilo até que você falasse comigo.
não sei se jamais teria coragem de perguntar, nem se você saberia responder.
se você simplesmente fosse embora, no dia seguinte tudo não passaria de um sonho, conseqüência óbvia de algo que li ou vi na tv.
então as águas da mudança nunca viriam. e o fluxo do comum permaneceria inabalável.
****
(...)
- como se lembra de algo que nunca aconteceu?
- com carinho. flaubert dizia que a expectativa era a forma mais pura do prazer e a mais confiável. enquanto as coisas que ocorrem nos decepcionariam, as coisas que não ocorrem nunca desaparecem, sempre ficam em nossos corações, como um tipo de doce tristeza.
Domingo, Maio 14, 2006
pequenas coisas
ouvir #41 no carro. certo. até aí, tudo bem. a não ser pelo fato de a placa do carro a frente ser 4141.
* i'll go in this way
and i'll find my own way out
ouvir #41 no carro. certo. até aí, tudo bem. a não ser pelo fato de a placa do carro a frente ser 4141.
* i'll go in this way
and i'll find my own way out
Domingo, Maio 07, 2006
sinestesia colorida
ela escolhe tudo de acordo com as cores. não só roupas, acessórios, decoração e etc como também comida, bebida, cigarro e produtos de limpeza.
ontem mesmo ouvi: será que aqui tem sorvete azul, hein?
ela come com os olhos, minha gente. o que é colorido, é gostoso.
lá fora ela sempre comprava os refrigerantes mais estranhos. as embalagens guardavam líquidos de cores como laranja, vermelho, amarelo.
mas essa confusão de tanta cor, complementando a vida dela, acaba irradiando e, pelo espectro, atingindo outras vidas.
e assim vamos por aí... acumulando novos tons na nossa vida colorida.
*if you feel discouraged
that that's a lack of color here
please don't worry...
ela escolhe tudo de acordo com as cores. não só roupas, acessórios, decoração e etc como também comida, bebida, cigarro e produtos de limpeza.
ontem mesmo ouvi: será que aqui tem sorvete azul, hein?
ela come com os olhos, minha gente. o que é colorido, é gostoso.
lá fora ela sempre comprava os refrigerantes mais estranhos. as embalagens guardavam líquidos de cores como laranja, vermelho, amarelo.
mas essa confusão de tanta cor, complementando a vida dela, acaba irradiando e, pelo espectro, atingindo outras vidas.
e assim vamos por aí... acumulando novos tons na nossa vida colorida.
*if you feel discouraged
that that's a lack of color here
please don't worry...