cause life is short but sweet for certain.

a caixa de pandora

Quinta-feira, Setembro 25, 2008

todos os sentidos tê/em sentido

tempo
para
mono/foto
grafia
posted by déa, 2:37 PM | | 2:37 PM

Quinta-feira, Julho 24, 2008

perdoar e esquecer. é isso que dizem por aí. é um bom conselho, mas não muito prático.
quando alguém nos machuca, queremos machucá-lo de volta. quando erra conosco, queremos estar certos.
sem perdão, antigos placares nunca empatam, velhas feridas nunca fecham.
e o máximo que podemos fazer é esperar que um dia teremos sorte o suficiente para esquecer.



*grey's anatomy
posted by déa, 9:06 AM | | 9:06 AM

Segunda-feira, Julho 14, 2008



layout da béa.
texto da déa
posted by déa, 4:27 PM | | 4:27 PM

Quinta-feira, Junho 26, 2008

um lá(r)

sabia.
por isso andava pela casa com os braços esticados
a sustentar o peso, o clima
ou era o teto, a qualquer momento, sobre as cabeças
a reza, de repente, maldição

era pilar, sabia
concreta
cinza e silenciosa
mas presente

permanecia ali
evita-desabamento
parte do lar
ao léu

só ela, sabia
era capaz de abalar
as estruturas tendenciosas
daquele lá



*o pátio circular no bojo da casa abrigava um fícus, cuja copa emergia no alto da pirâmide frustada.
sucedeu que a casa, quando ficou pronta, começou a a abafar o fícus que, em contrapartida, solapava os alicerces com suas raízes.
o arquiteto e o paisagista foram convocados, trocaram acusações, e ficou patente que casa e fícus não conviveriam mais.

chico buarque
posted by déa, 1:28 AM | | 1:28 AM

Sexta-feira, Junho 13, 2008

nada de perfume
só presença
lá fora sou estrela
dentro fico só
rodando

não quero sentar
e em pé não sei onde
repousar as mãos
como mover o corpo

sei que está aqui
mas não vejo pelos
corredores escuros
intercalados por foco
e luz estourada
cadente
sou brilho apagado
na noite escura de mim



*que sonho é esse de que não se sai
e em que se vai trocando as pernas
e se cai e se levanta noutro sonho
posted by déa, 10:59 AM | | 10:59 AM

Quarta-feira, Junho 04, 2008

arte em mosaico
narrativa requerida
pedaços de muitos
mescla tipos e tintas
trançados de miçangas
veste turqueza
a zul luz
Ilu mina o rosto
umapa
caminhos de cor
flores naturais
abertas sem dor
desabrochadas
em papel-país


*sonhos são sonhos
posted by déa, 3:17 PM | | 3:17 PM

Sexta-feira, Maio 16, 2008

wednesday morning at five o'clock
as the day begins
silently closing her bedroom door
leaving the note that she hoped would say more
she goes downstairs to the kitchen
clutching her handkerchief
quietly turning the back door key
stepping outside she is free

she's leaving home after living alone
for so many years
posted by déa, 9:53 PM | | 9:53 PM

Quarta-feira, Maio 14, 2008

nove

é o tempo que (me) leva
para nascer
assim sinto
há sim
assinto
há cinto
a sinto
a vida
ávida
em nós

dois
posted by déa, 2:55 PM | | 2:55 PM

Domingo, Março 02, 2008

repleta de papel
picado em letrinhas, contas, possíveis programas
plantado em casas imaginadas
no intervalo é que rolam as atrações principais
e a rotina é sempre uma surpresa
pessoas novas, novas conversas

a mesma hora que nunca se repete
é a do café
café-chocolate, café-leite, café-torrada
cá-fé
necessário ou reflexivo
sonoro ou silencioso
tanto faz. é sagrado.

depois de muita insistência
os móveis mudaram de lugar
tudo porque o sofá é o melhor do mundo
e ele certamente merecia um lugar ao sol
depois de acordar, um cochilo caloroso
sim, era diferente debaixo da janela
lá tem duas
às vezes chove numa
noutra não.

e mesmo sem espaço a gente sentá lá
entre a casa e a rua
como numa calçada
e ali vinho, cigarro, idéias.
dela posso ver que se cruzam
minha rua com a da paz.
o que me conforta
pois a da saudade fica ladeira acima
ainda dois quarteirões à frente.

tinha um cachorro solitário
que reclamava quando nós na janela
assim como os vizinhos.
pois tinha muita música
tocada e ouvida, até revezada.
muita gente e eu sozinha.
era lá que a gente se encontrava.
estudos, momentos ou jantares
ah sim, tinha muita comida.
demasiado apressadas
ou jantares longos e divertidos.

mas aí veio o último.
o último jantar.
na sala da minha casa.
posted by déa, 9:46 PM | | 9:46 PM

Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

a vida se presta a palco
suba e dê seu show


os dias se jogam aos pés da cama
imploram, levante!
você nem atenção
de pé, rotina de sonâmbulo
não vê, ouve, sente
não dança, mas cansa
decresce a expectador
nem isso
a-corda!
segura(!) eu vou jogar!
é preciso despertar
relógios não fazem (d)efeito
o tempo é seu, desfeito
segundos de minutos
espalhados na cidade
esquecidos em tudo não feito

e eu
bem que tento
mas você escorre,
você desatento
você incondicional
mora aqui dentro.
fico bailando
no seu fuso inexistente
parado, zero
ninguém entende
mas o tempo perdido
no peito
só se estende
posted by déa, 1:33 PM | | 1:33 PM

Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

a da noite

o problema de fazer planos é que nunca levamos em consideração o inesperado
posted by déa, 12:00 AM | | 12:00 AM

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

paris, je t'aime

(em francês)
: nos conhecemos? tenho a impressão de que nossos caminhos ja se cruzaram.
onde mora? eu moro no 17. talvez o tenha visto no meu bairro.
não é muito falante... não tenho certeza, mas acho que já vi você antes
tem um olhar místico. há algo realmente especial em seu olhar...
acredita em fantasmas? gosto muito deste assunto.
talvez nos conhecemos em outro tempo, em outra época.
:: tem fogo?
: fogo?
:: obrigado.
é estranho, mas quando o vi senti vontade de falar com você.
como se... não sei o que. é muito forte. é estranho.
pensei que se não falsasse antes de desaparecer estaria deixando passar algo muito importante.
é lindo, não?
trabalha em um belo lugar...
não queria perder a oportunidade de falar com você porque, é bobo, mas simplesmente não queria.
acredita em almas gêmeas? alguém que é sua outra metade?
gosta de jazz?
:: sim
charlie parker... e kurt cobain? adoro kurt cobain. não importa.
vou te dar meu número. adoraria conversar com você. se me ligar.
uma conversa mais séria e sobretudo mais longa. mais longa.
:: obrigado.

(em inglês)
# que foi?
:: não sei, ele me deu isto.
# seu número de telefone.
:: não entendi muito bem o que ele dizia. meu francês não é tão bom. disse muitas palavras que não estão no meu livro.
# então ligue pra ele e descubra.

posted by déa, 2:20 PM | | 2:20 PM

Terça-feira, Novembro 27, 2007

uma flor

achei você no meu jardim
entristecido
coração partido
bichinho arredio

peguei você pra mim
como a um bandido
cheio de vícios
e fiz assim, fiz assim

reguei com tanta paciência
podei as dores, as mágoas, doenças
que nem as folhas secas vão embora
eu trabalhei

fiz tudo, todo meu destino
eu dividi, ensinei de pouquinho
gostar de si, ter esperança e persistência
sempre

a minha herança pra você
é uma flor com um sino, uma canção
um sonho em uma árvore ou uma pedra
eu deixarei

a minha herança pra você
é o amor capaz de fazê-lo tranqüilo, pleno
reconhecendo o mundo
o que há em si

e hoje nos lembramos
sem nenhuma tristeza
dos foras que a vida nos deu
ela com certeza estava juntando
você e eu

posted by déa, 2:06 AM | | 2:06 AM

Quinta-feira, Novembro 22, 2007

vida boa é na beira do mar

deslocados, os surfistas andam pelo solo. acabam boiando quando longe de onde se sentem mais confortáveis. eles são do mar. lá eles flutuam. é mergulhando que o menino peixe respira aliviado, esquece o peso dos pés e relaxa. a agonia fica por conta das horas que passa longe do que lhe parece natural. a maior das casas. onde é tudo. e nada. nada mais.

apressados, os homens correm pelo concreto. carregam nas costas a dureza da cidade, são tomados pelo negro do asfalto e pisam com pés de blocos maciços e cinzentos. fogem da trilha das buzinas para o acalanto das ondas que quebram na beira-mar. junto com as ondas, pulam a rotina e caminham pelas águas. se permitem fluir, ninar. se entregam ao balanço, ficam maleáveis, se deixam influenciar. e então vão na onda. hipnotizados, bailando ao som que reverbera de além do horizonte. e assim se deixam levar pelo imaginário, o ideal em dias tão sólidos. abraçados pela válvula de escape da terra firme.

leves, os pássaros batem asas por aí. podem ir a quase todo lugar. mas até eles que tem o céu, não abrem mão do mar. deixam de voar, sonho de tanta gente, para molhar os pezinhos num banho de sal. quanta doçura. só partem em revoada quando a água avança. vez por outra pousam novamente, brincam de “olha a onda!”, viram crianças. depois da diversão voltam para o ar. mas vezenquando resolvem obedecer a gravidade e tornam a descer pra lá.

azul, verde, marrom, transparente, a imensidão contorna o mundo. é comunhão de sentidos, cores, tipos. por tantas peculiaridades se torna plural. bem querer geral e particular. e por ser ao mesmo tempo muitos e um só, que aqui aparece assim, cru, “preto no branco”, indo além da força de expressão. cabe ao observador pintar da cor que desejar, lembrar ou sonhar. na terra, cada um tem seu (a)mar.



*de um projeto fotográfico arquivado.
posted by déa, 5:11 PM | | 5:11 PM

Domingo, Novembro 18, 2007

nós entre nós

quando digo que agora
te amo pra sempre
espero que entenda:
agora pode ser pra sempre
o sentimento momento
pode se descobrir eterno


depende de
nós
e há
nós
(h)a-penas
nas coisas enlinhadas
demais complicadas
nas coisas pequenas

mas nós
nósomosimplesmente nós
atados
em-laçados
com laço forte
mas sem engodo

é voluntário
movido pelo músculo
ma(i)s involuntário
o que sinto




*o amor é uma companhia
alberto caeiro
posted by déa, 5:08 PM | | 5:08 PM